26/05/2017

O fantasma dos anos 90. Seu nome é humanidade - Um texto espontâneo reflexivo




Meu coração não está equivocado ao sentir que este vídeo representa as imagens e sons que mais estimo neste momento da minha vida. A reflexão nunca foi demais para mim. Muito menos a melancolia e as crises existenciais. Reconhecer isso é importante. E estou deixando de lado muito, mas muito do que há de conteúdo de discussão a respeito disso na profusão de emoções que é minha mente nesses momentos. Quando uma obra-prima de arte é criada, creio que ela quebra barreiras que são estranhas a ela mesma. É o caso de Ghost in the Shell. A abertura reflexiva que ela proporciona é totalmente autônoma. Não há barreiras. Isso me toca, e não sei direito o porquê. 

Não é o protagonismo de Motoko que direciona tudo isso. Ele é apenas parte de um processo humano que reverbera nos corações de quem vir a tentar compreendê-lo dentro de suas colocações. A verdadeira essência de tudo isso é abstrata: um fantasma. Dito isso, é possível até mesmo afirmar que uma obra-prima não é categorizada por sua força sendo medida sobre unidades convencionais de referência, mas por ser um objeto que tem o poder de reverberar com autonomia própria dentro de pensamentos que podem durar vidas inteiras. Ela deve ultrapassar o humano, o mais duradouro dos estigmas artísticos perpetuados por ele, para assim configurar-se como tal.

Continuo na insistência de não sentir a necessidade de entender a letra de uma música que me toca internamente. Eu venho reconhecendo que isso talvez seja útil até certo ponto, e que depois talvez seja interessante ir atrás das bases concretas da obra (sua letra, no caso), mas especificamente sobre essa obra, de tão imponente que é, eu realmente não sinto vontade alguma de saber um pingo a mais sobre seus significados mais básicos. Já os li de relance mas não me recordo. São as imagens. As imagens me transportam para um átimo irreversível de internalizações que não se comparam a nenhum entendimento universal de coisas como essa, como esse filme.

Esse é um dos motivos pelos quais me identifico tanto com os anos 90 em termos gerais. Enquanto os 80 foram uma época de descobertas e inovações em ebulição, assim como os anos 2000 em diante também vem sendo, essa época sobre a qual vos falo se tornou um hiato reflexivo retumbante, que é um dos motores da civilização atual e talvez perdure por muitos outros anos advindos. Os anos 90 foram uma obra-prima. É diferente pensar nisso.

E ainda assim eu decoro seus dizeres, eu decoro suas passagens. Minha fala nesse texto passa longe de mergulhos filosóficos efetivos e válidos, porque só há constatações imediatas, talvez, e sentimentos inocentes contrapostos a questões muito mais limitadas do que as estou colocando em pauta.  


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